Um lugar no reino dos céus
Texto bíblico: Mateus 7.21-28
O mais fantástico sermão de todos os tempos caminha para o fim. É provável que a esta altura a multidão já esteja deslumbrada. Estamos às portas da conclusão, e a multidão ficará maravilhada (v. 28). O maior de todos os mestres conclui sua palavra com um impressionante clímax, mostrando dois aspectos que andam lado a lado: a inutilidade de uma religião pomposa, mas sem ele, e a necessidade de um posicionamento diante de sua palavra. Não é possível ouvir Jesus e ficar sem tomar posição. Não é religião, é ele. Não são sinais, é ele. Entrarmos no reino dos céus vem pela nossa decisão do que fazemos com Jesus.
Esta é a questão: que fazer diante das palavras de Jesus? A pergunta de Pilatos, “Que farei, então, de Jesus, que se chama Cristo?” (Mt 7.22) deve ser feita por todo homem. É preciso tomar uma decisão. Jesus deixa claro no término do sermão: não se fica indiferente a ele. Por um trimestre estudamos seu ensino. Como nos portaremos diante de suas palavras? Nosso destino final será decidido pelo nosso posicionamento diante dele. Entraremos ou não no reino dos céus conforme a resposta que dermos ao que ele ensinou, do que ele fez, do que ele é, de sua pessoa, enfim. Vejamos isto e respondamos à pergunta: O que faremos com Jesus e seus ensinos? Disto depende nosso destino eterno.
1. Haverá um juízo – 7.22
“Naquele dia”, já vimos, é o dia do juízo final. Veja, a propósito, Lucas 10.12, 2Tessalonicenses 1.10 e 2Timóteo 1.12. “Naquele dia” haverá muita gente frustrada. Porque seguiu sua própria visão, o seu entendimento pessoal do que seja o caminho para a vida eterna. Isto tão é atual! As pessoas fazem seu projeto pessoal de salvação e nutrem seus próprios conceitos, ao invés de se pautarem pela palavra de Jesus.
Não basta dizer que é dele ou que fala em nome dele. Por três vezes, estas pessoas usam a expressão “em teu nome”. E ouvirão “Nunca vos conheci”. Profetizar, expulsar demônios e fazer milagres em nome de Cristo não significa que a pessoa esteja salva! É possível fazer tudo isto e estar perdido! Que advertência! Há uma espiritualidade “cheia de poder” que nem sequer indica salvação. Pensemos nesta citação de Broadus: “Quaisquer que fossem as palavras destes homens, as suas obras foram más; eles não fizeram a vontade de Deus (v.21), não deram bons frutos (v.18), não praticaram as necessárias obras de justiça que ele exigira (5.20, 6.33). E Jesus não só não os conhece agora, nunca os conheceu, nem mesmo quando efetuaram milagres em seu nome”. Não basta alegar poder espiritual. É preciso fazer a vontade do Pai que está nos céus (v. 21). Reveja, na lição anterior, o tópico “Não é o que se fala, mas o que faz”, sobre este assunto.
2. Ele não conhece os praticantes da iniqüidade – 7.23
“Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade”, diz Jesus. É tudo o que ele tem a dizer. Ele não se ilude com os sinais, mas olha o caráter. Uma árvore boa dá bons frutos. Se há maus frutos, a árvore é má. O salvo não pratica a iniqüidade. Temos nos esquecido da ética cristã, da necessidade do cultivo do caráter, tamanha a ênfase que damos à justificação pela fé, mas devemos lembrar que salvos não praticam iniqüidade. A advertência é muito oportuna, pois a igreja contemporânea valoriza sinais e prodígios e não o caráter: é possível ser um perdido e operar sinais.
Ele ignora os iníquos, mas conhece as verdadeiras ovelhas (Jo 10.14). No versículo 15 ele falou de lobos que parecem ovelhas. Aqui continua o assunto. Ele sabe quem é e quem não é ovelha. Uma boa descrição das suas ovelhas está em João 10.26-28. E aqui fica caracterizado quem não é: o que pratica o mal. Quem ama o pecado não é de Cristo, por mais alarido que faça. Leia, a propósito, 1João 3.1-10.
3. A parábola das duas casas - A casa que não cai – 7.24,25
A seguir, Jesus conta a parábola das duas casas. A casa é um símbolo da nossa vida. Nós a edificamos sobre a rocha ou sobre a areia. O que edifica sobre a rocha é chamado de “prudente” ou de “sábio”. Ele “ouve” e “põe em prática”. Quem ouve as palavras de Jesus e as cumpre edifica a vida sobre a solidez de uma rocha. Não basta ouvir. Há pessoas que são atenciosas e ouvem com educação, mas não praticam. É preciso ouvir e praticar (Tg 1.22-25). Quem age assim, quando a casa é batida pela tempestade, fica de pé. As tempestades vêm sobre as duas casas, mas a casa do seguidor de Jesus permanece de pé. O obediente pode enfrentar as piores tempestades e permanecer de pé.
O seguidor de Jesus não só entra no reino “naquele dia”, mas vive no reino dos dias de hoje. Tem a certeza de que nas maiores crises de sua vida está alicerçado sobre a rocha. A figura de estar sobre a rocha no meio da crise era muito comum na poesia hebraica (Sl 18.2, 31.2 e 40.2, entre outros). Ouvir e cumprir o que Jesus ensinou é garantia de vida eterna, “naquele dia”, e vida equilibrada e estável, no dia de hoje. O padrão não são sinais portentosos, mas a obediência ao que ele ensinou. Esta foi sua exigência à sua igreja: “ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mt 28.20).
4. A parábola das duas casas – a casa que cai – 7.26,27
Há quem ouça e não coloque em prática. É o homem “insensato” ou “louco”. Ele edifica sobre a areia. As tempestades derrubam sua casa. Fica bem claro que a questão não é a violência da tempestade, mas os fundamentos da casa. Ouvir e não cumprir é construir a vida sobre a areia.
A ilustração segue a linha do justo e do ímpio, no Salmo 1. Ali, a situação presente e o destino final dos dois são definidos pelo seu posicionamento diante da Palavra, a Torah. Aqui, diante da palavra de Jesus. Jesus é a nova Torah, ele é a nova revelação de Deus, a Palavra encarnada: “E a Palavra se tornou um ser humano e morou entre nós, cheia de amor e de verdade...” (Jo 1.14, Linguagem de Hoje). Por isso, durante o sermão ele disse “Ouvistes o que foi dito...” e “Eu, porém, vos digo” (5.21,22, 5.27,28 e, com variações, 5.31,32, 33,34, 38,39, 43,44). A palavra final em matéria de religião é a de Jesus. Ele é a última palavra de Deus aos homens: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo Filho...” (Hb 1.1-2).
5. O que dizer de um discurso deste?
“As multidões se maravilhavam da sua doutrina” (v. 28). Não há outro sentimento a se nutrir quando se depara com este sermão. É o mais fantástico sermão do mais fantástico pregador que já houve. “Nunca homem algum falou assim como este homem” (Jo 7.46). E jamais alguém falará como ele falou. Digamos como Pedro: “Tu tens as palavras da vida eterna” (Jo 6.68). Só ele tem palavras assim. Só as suas palavras podem transformar vidas para todo o sempre.
Escribas e fariseus citavam vários pensadores e escritores do passado, apenas repetindo conceitos. Uma coletânea de pensamentos muitas vezes desconexos. Mas Jesus dizia: “Eu vos digo”. Este foi seu ensino: ele mesmo. Para muita gente, Jesus pregou o amor. Sim, mas secundariamente, não como tema principal. Seu tema principal foi ele mesmo. Ele tinha autoridade. Ele falava como ninguém. Diante de seus ensinos só podemos quedar maravilhados. Louvado seja Jesus!
Para pensar e agir
Fiquemos com as palavras de Ryle, um servo do passado: “É assim que termina o Sermão do Monte. Jamais se tinha pregado um sermão como este anteriormente. Talvez jamais se pregou outro igual desde então. Cuidemos para que ele tenha uma influência duradoura e permanente sobre nossa alma. Ele foi dirigido tanto a nós como àqueles que primeiro o ouviram. Nós somos os que terão de prestar contas pelas lições deste sermão, lições que nos sondam o coração. O que pensamos a respeito destas lições não é questão de pouca importância. A palavra que Jesus tem proferido, essa mesma palavra nos julgará no último dia (Jo 12.48)”.