maio 24, 2009

Estudo 13 da EBD. Domingo, 23 Maio de 2009.

A verdadeira espiritualidade: oração e conduta Texto bíblico: Mateus 7.7-12


Sendo o Sermão do Monte um discurso sobre religião prática, não é de se estranhar que Jesus continue abordando a verdadeira espiritualidade. . Jesus liga oração, jejum e o que se fala da vida alheia.
Esta abordagem é oportuna, porque muitos pensam que religião trata apenas de seu relacionamento com Deus. Jesus deixa claro que não é apenas “Eu e Tu”, mas “Eu, Tu e o Outro”. Consideremos esta questão hoje.
1- Pedir, buscar e bater; receber, encontrar e abrir – 7.7,8.
São três sentenças curtas, com três verbos expressivos: pedir, buscar e bater (vv. 7,8). Eles definem o que seja oração. Não é definição teológica, mas que profundidade! Orar é pedir ao Pai. É buscar ao Pai. É bater à porta do Pai. Jesus não descreve formas ou métodos, apenas mostra que atitudes tomar.
Estas atitudes recebem respostas. Troquemos o “buscar” por “procurar” e temos uma expressão muito conhecida: “quem procura acha”. A questão fundamental no ensino de Jesus é esta: Deus responde às orações. Oração não é um exercício psicológico, nem comunhão com a Grande Mente Cósmica do Universo, seja lá o que isso seja. Oração é comunhão com um Pai celestial que responde. Uma postura de dependência (pedir, buscar e bater) para com um Deus prestativo (recebe, acha, e abre-se). Oração não é inutilidade, mas uma experiência fantástica: uma pessoa que se põe como dependente diante de um Deus bondoso é atendida por ele. Não é dar ordens a Deus, mas pedir, buscar e bater.

Duas ilustrações simples e profundas – 7. 9-11
Jesus usa duas ilustrações muito simples. Um bom pai, se o filho lhe pedir pão, que era o prato principal naquela cultura, não lhe dará uma pedra (v. 10). Os pães daquela época não eram parecidos com os nossos e tinham até semelhança visual com pedras da rua. Mas o pai não se engana nem engana o filho. Um bom pai, se o filho lhe pedir peixe (prato secundário naquela cultura) não lhe dará uma serpente (v. 10). Talvez seja a figura de uma enguia, parecida com serpente. Novamente o pai não se ilude nem engana o filho.
“Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhas pedirem?” (v. 11). Esta é a dedução que Jesus faz das suas ilustrações. Uma mensagem boa: o Pai dará coisas boas aos seus filhos. Ele não se engana nem nos engana. Esta é a garantia da oração. Deus é um Pai absolutamente bom. Se nós damos coisas boas aos nossos filhos e somos maus, ele não nos dará coisas boas? A base para recebermos a resposta em oração foi bem estabelecida pelo Salvador: é a bondade de Deus. Não é nossa intensidade em oração (embora seja bom ter oração intensa) nem o fervor espiritual (embora seja bom ter fervor em oração). A base de tudo é a bondade de Deus.
3. A mensagem negativa da ilustração – 7.11
Mas se há uma mensagem boa nas ilustrações usadas, há uma negativa, que é um balde de água fria nos ensinos humanistas de hoje: “sendo maus”. Seus ouvintes eram religiosos, seguiam-no, queriam aprender dele, mas eram maus. A declaração é incidental, mas o Sermão do Monte trata de religião prática e Jesus não era de jogar palavras fora nem as usava indevidamente. Religião, em si, não torna as pessoas boas. A graça do evangelho transforma o pecador. Mas a simples prática de religião não torna alguém bom.
Foram religiosos que pediram a morte de Jesus. Foi um casal de religiosos que mentiu à igreja (At 5.1-10), e foram homens religiosos que tentaram matar Paulo, até mesmo jejuando e fazendo juramento para isso (At 23.12). Não há pessoas boas (Mc 10.18). Isto se constitui em grande desafio evangelístico para a igreja. A única maneira de levar as pessoas à prática da bondade é levá-las até a pessoa de Cristo. Só ele pode nos mudar. Fora dele tudo é paliativo. E também se constitui num desafio moral: se fomos alcançados pelo evangelho devemos mostrar bondade em nossos atos. Há membros de igreja que são maus, briguentos, cheios de ódio. Isto é um contra-senso. O evangelho transforma as pessoas. Quem tem a fonte do bem em si, quererá fazer o bem.
A regra áurea – 7.12
“Portanto, tudo que quereis que os homens vos façam, fazei-lhos também vós a eles; porque esta é a lei e os profetas” (v. 12). Este texto é chamado de “regra áurea”. Ele estabelece o mais profundo padrão de relacionamento pessoal já proferido por alguém. Se ele fosse posto em prática por todas as pessoas, assumido como regra infalível de conduta, o mundo seria um paraíso relacional.
No século 6 a.C., Confúcio disse: “Não faça nada ao seu próximo que você não queira que seu próximo faça a você” (Mahabarata XIII.571). O filósofo Sócrates, no século 2 a.C., disse: “Aquilo que fazendo vós a outros lhes irrita, não lho deveis fazer vós”. Mas há uma diferença deles para Jesus. Eles foram negativos: não fazer aos outros o que não queremos que os outros nos façam. Jesus foi positivo: faça o que querem que lhe façam. A diferença não é de palavras, mas de visão. Jesus positivou a religião. Os mandamentos diziam para não adulterar, não roubar, não matar, não defraudar. Jesus manda amar o próximo (Mt 22.39). Sua maior ênfase não está nas proibições, mas nas ações positivas. Ele deu mais ênfase à prática do bem do que ao evitar o mal. Porque a prática do bem amadurece a pessoa, dá-lhe realização, traz-lhe a sensação de dever cumprido. E não basta não fazer o mal. É preciso fazer o bem (Tg 4.17). Uma pessoa pode não fazer o mal, mas pode desejá-lo para outra. Mas quem faz o que quer que lhe façam, nunca desejará o mal para os outros. Jesus foi além dos demais mestres de religião e de moral.

4. Quebra ou continuação de argumento? - 7.12
Mas Jesus vinha falando de oração e de repente introduz a regra áurea. Isto não foi uma quebra no seu argumento? Não, na realidade, foi a continuação do tema sobre a verdadeira espiritualidade. Ela não se constitui apenas de oração e jejum . Também envolve o próximo, a maneira como nos pronunciamos a seu respeito.
No trecho anterior (7.1-5) Jesus trata de relacionamentos verbais. Leia o texto, e pergunte-se: você quer ser agredido verbalmente? Quer ser alvo de fofoca? Não, óbvio. Pois bem, “tudo que quereis que os homens vos façam, fazei-lhos também vós a eles; porque esta é a lei e os profetas” (v. 12). E entre a maneira de falarmos sobre nossos irmãos, o não efetuar juízos daninhos a respeito deles e a regra áurea, vem o assunto oração. É como se nos dissesse: “Não seja fofoqueiro nem pense mal dos outros, vá orar!”. Se cada fofoca fosse substituída por oração intercessória, como o corpo de Cristo na terra seria edificado! Em vez de briga e fofoca, que tal oração?
Evitemos falar o indevido com e sobre os irmãos (7.1-5). Ao invés de falar deles, é melhor falar com Deus. A espiritualidade verdadeira não é apenas jejuar e orar. É também saber se relacionar com os outros. Espiritualidade sem misericórdia é falsa.
Para pensar e agir
Como sempre, o desconcertante Jesus nos desafia. Ele é o mais fantástico Mestre (e o único com M) e seus ensinos têm uma profundidade ímpar, em sua simplicidade. O que pensamos ser a verdadeira espiritualidade, hoje? Declarar a fé? Viver em louvor? Jesus nos ensina que não há espiritualidade autêntica sem bom relacionamento com o próximo. A igreja hoje tem muitos santos grosseiros e intratáveis, com excesso de convicções e carência de amor. Não basta orar, jejuar e louvar. Sem o próximo não há espiritualidade verdadeira.

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